MEU PRIMEIRO AMOR
Quando fecho os olhos ainda posso vê-lo de pé explicando pra turma toda de quase 20 adolescentes sobre alguma história da bíblia que não prestei muita atenção, pois todos os meus sentidos estavam voltados pra ele. Não me lembro de tê-lo visto antes, mas á partir daquele dia nunca mais o esqueci.
Geraldo era um adolescente de uns 15 anos, tinha mais ou menos 1,80 de altura, muito magro, pardo de olhos castanhos, e um sorriso encantador. Era extrovertido, simpático, tocava vários instrumentos, cantava muito bem e tinha um carisma que conquistava do pastor às crianças da igreja. E eu ali com um turbilhão de sentimentos que não sabia explicar porque nunca tinha sentido.
Eu era o oposto dele, bem introvertida, quase nunca falava com ninguém, muito perdida no próprio mundo, que pela pouca idade não entendia direito.
Geraldo passou a ser meu "objeto" de pesquisa, eu adorava estudar e pesquisar sobre tudo o que me chamava atenção e com ele não foi diferente. Contei o que sentia para minha melhor amiga, a Eliz, e pasmem!!!!!!! Eles eram irmãos!!!!!!!
Sendo assim, por causa dela descobri muitas coisas sobre ele: Ele fazia aniversário 3 dias antes de mim, estudava na mesma escola que eu porém, no noturno, trabalhava em frente a escola e saia pra almoçar no mesmo horário que eu saia da aula, então eu o seguia todos os dias até perto da minha casa. Ele morava em um bairro depois do meu, uns 20 minutos caminhando.
E desse amor platônico e muito inocente, fui me alimentando.
Passei a frequentar a casa deles, assim como muitos jovens da igreja. Era uma casa pequena, simples, de madeira ruim, mas, de uma energia maravilhosa! Dona Maria a mãe deles, tinha 6 filhos, era viúva e fazia de tudo que podia para criar todos, e todos a ajudavam como podiam. A mais nova era minha amiga Eliz de uns 14 anos, e o mais velho já era casado e vivia em outro estado.
Nos reuníamos para tocar e cantar, jogávamos jogos de tabuleiro ou jogos inventados por nós mesmos, porque nos anos 80 os aparelhos eletrônicos e digitais, eram algo muito longe da nossa realidade. Ali nos divertíamos a tarde toda e nos esquecíamos das tristezas e problemas que cada um vivia em suas próprias casas.
Às vezes eu e Geraldo trocávamos olhares e sorrisos, até que tomei coragem e lhe escrevi uma carta cheia de coraçõezinhos rosas e no papel de carta mais caro da minha coleção. Eliz entregou e não tive coragem de voltar á casa deles por um bom tempo.
Em uma tarde Geraldo e Eliz iam pra escola e passaram na minha rua. Ouvi Eliz me chamar, e ao chegar na janela, quase desmaiei quando o vi parado no meu portão sorrindo pra mim.
_ Vamos com a gente até lá em baixo? Me perguntou Eliz.
Respondi que sim, coloquei uma roupa qualquer porque não tinha muitas mesmo, passei a escova nos meus cabelos e sai com eles. Em determinado trecho, Eliz disse que precisava ir a algum lugar antes e paramos pra esperá-la, estava cedo ainda pra aula deles começarem.
Não sei bem como aconteceu, mais ele me deu um abraço tão forte que paralisei, acho que nunca tinha sido abraçada, fiquei como uma estátua. Como ele era muito alto, abaixou seu rosto para encostá-lo no meu e senti seus lábios molhados e frios, no meu rosto e depois na minha boca.
Meu Deus!!!!!!!! Era sonho, era pesadelo, era qualquer coisa menos real!!!!!
Ele me soltou, e com a voz bem triste me disse:
_ Não me rejeita não....
Só consegui abraça-lo de novo e dizer:
Geraldo, eu não sei. Desculpa te amo, mais eu não sei!
Ficamos abraçados durante alguns minutos e depois o segui com os olhos até que ele sumisse no fim da rua.
Quero parte 2
ResponderEliminar